domingo, 30 de agosto de 2026

MADONNA COLONNA - AINDA UM MISTÉRIO

 

Para mim foi uma emocionante descoberta sobre uma obra de “Rafael Sânzio” vinda com imigrantes para o Brasil em 1875.
E tudo começou em 1978 e até hoje o mistério não foi desvendado.
Será que um dia será?


A sorte estava a meu favor! Ser sobrinha da “Tia Cema” foi fundamental para que essa história acontecesse(1)


 Mas... A Historia começa aqui:

 Durante uns anos, era só eu ter uma brecha na escola e já estava eu, embarcando rumo a Rodeio, cidade natal de minha mãe em Santa Catarin. Hoje a cidade é conhecida como a “Capital Catarinense dos Trentinos”.

Rodeio é uma pequena cidade que foi colonizada por italianos vindos da região do Tirol -  Trento e e julho e agosto de 1978, mais uma vez, estava eu lá, passando minhas férias. 

Como de costume eu passava muito tempo na casa da minha Tia Cema “sfrugnando” livros, fotos e documentos antigos. 

Tia Cema já havia me contado que o Sr. Natal, esposo de sua prima Selma, era um colecionador de antiguidades e que estava guardando em sua casa, o acervo do Museu “Eugenio Trevisani.” que havia sido montado para a comemoração do Centenário da Imigração Italiana em Rodeio (1875/1975).

Seus filhos eram também meus amigos de infância e naquele ano frequentei assiduamente a casa deles e acabei conhecendo toda aquela “riqueza” que ele guardava em sua casa.

  Natal havia dito a minha tia que estavam em seu poder os famosos “Registros de Frei Lucínio” que haviam se “perdido”.

 “Frei Lucínio foi um pároco de Rodeio que organizou os Registros Canônicos das famílias de imigrantes que vieram para o antigo distrito de Rodeio da Colônia Blumenau”. Ele anotou em cadernos a chegada dos imigrantes tiroleses e italianos. Nome, numero de lote, filhos etc...

 Esses documentos haviam desaparecido durante a época do Estado Novo quando se deu se a perseguição aos imigrantes e seus descendentes residentes no Brasil. Esses documentos que podiam identificar quem era estrangeiro foram escondidos, enterrados e até queimados para não prejudicar a nenhum deles. 

Os registros achados, agora fazem parte do livro que ela publicou: “Histórias e Memórias de Rodeio” – Iracema Maria Moser Cani

 Por um tempo acreditou se que esses Registros tivessem se perdido para sempre porem Natal os havia encontrado e naquela  época, 1978,  eles estavam numa caixa de papelão no porão ao lado da escada de sua casa; já com um cheirinho de mofo.

Perguntei lhe se podia olhar os livros. Prometi que teria muito cuidado ao manusear.

Natal prontamente permitiu!

Aqueles “cadernos antigos” para mim foram um achado maravilhoso! Fiquei fascinada e conversava com ele sobre minhas descobertas no seu acervo.

Vendo meu encantamento por essas coisas históricas e antigas, cada dia ele  me mostrava uma nova “preciosidade”.

Fiquei encantada com uma coleção chamada “Encyclopedia Portuguesa Ilustrada” de Maximiano Lemos.  Atualmente só consegui encontrar exemplares dessa coleção na Faculdade de Coimbra – Portugal.  Lembro-me de ele ter dito que na sua coleção só faltava um volume.

Lembro também de ter ficado admirada com uma imagem de uma “Santa Espanhola”. Naquela época ele estava em busca de “uma carta” que devia acompanhar a santa, pois ela tinha uma história interessante. A imagem só seria considerada rara juntamente com a carta que ele tanto procurava. Nunca soube se chegou a encontrar a tal carta.

Porcelanas, joias, livros, documentos, utensílios de uso pessoal, partes de metal de um famoso satélite, ferramentas de trabalho e outros objetos que pertenceram aos primeiros imigrantes, tudo isso compunha o seu acervo.

Naquela época eu estava fazendo uma coleção lançada pela “Abril Cultural” chamada “mestres da Pintura”.  Eu lia cada fascículo e me deliciava com as gravuras das pinturas dos Mestres.

Em Rodeio, todos os dias eu ia até a casa de Natal e Selma para ver algo diferente e conversar com eles.

Um dia ele chegou para mim e me disse:

- Dóris, você gosta mesmo de tudo isso aqui! Aqui ninguém se interessa por isso, ninguém dá valor. Quero te mostrar uma coisa muito especial!

 Tenho gravado em minha memória a imagem dele descendo as escadas, parando no ultimo degrau com um  “cartucho” em cada mão.

 Devagar e com muito cuidado ele desenrolou o primeiro “cartucho” e  orgulhoso falou:

 - Veja o que me devolveram!

Ao ver o que ele desenrolava eu fui ficando mais e mais encantada.

O primeiro era uma tela com a imagem de uma Madona com o menino Jesus em seu colo. Uma tela escurecida pelo tempo. A tinta estava craquelada e faltavam certos pedaços, mas era Lindíssima!

A virgem segurava o menino nu e um pano branco escondia o sexo do menino. Soube mais tarde que aquele pano branco havia sido colocado por um padre quando a tela foi exposta na Igreja de Rodeio.

 Ao ver a tela fique extasiada! A beleza, a antiguidade e até o péssimo estado que aquela bela figura estava me deixaram em êxtase e imediatamente falei: Esta tela é de Rafael Sânzio!

Não me perguntem de onde veio esta certeza. Não sei! Surgiu assim, sem filtros, sem analises, sem pensamento. Era um Rafael.

Não! Não entendia de arte, continuo não entendendo a ponto de fazer uma comparação dessas... Mas foi assim!

Simplesmente a emoção me fez falar e enxergar que era um Rafael... Talvez tenha sido o famoso “sexto sentido” que toda mulher possui. Mas eu estava convicta...

Momentos depois, começando a raciocinar eu ainda disse:

Se não é um “Rafael” autentico com certeza é algo tão grandioso quanto ele!

A tela devia ser muito antiga, pois na parte inferior a tinta já havia se soltado do pano no qual a pintura fora realizada.

Eu segurei a tela da Madona em minhas mãos e enquanto eu continuava a admirar a primeira tela ele foi desenrolando a segunda e me disse:

- “ Tem essa também! ”.

A outra tela também era muito bonita, mas não se comparava à primeira, pois estava mais escurecida e sombria. Uma cena triste... Lúgubre.

A pintura representava a crucificação de Cristo com o bom e o mal ladrão no Gólgota. Também se encontrava em péssimo estado de conservação e em ambas não se via a assinatura, pois estava muito descascada na parte inferior. (Soube que posteriormente, devido a sua deterioração, ela foi dividida em três telas – Um tríptico).

Ainda com a tela da Madona em mãos eu falei para o Natal:

- Natal, essa tela parece mesmo ser uma pintura de Rafael Sânzio! Pode ser! Mas como isso é possível? Que coisa maravilhosa? Como veio parar aqui?

Lembro-me dele sorrir todo orgulhoso e comentar que realmente a tela era muito linda e ficou admirado com o que eu falei.

Fiquei tão encantada com a tela e tinha tanta convicção que aquilo era algo muito precioso que logo quis saber como as telas vieram parar em suas mãos.

Então ele me contou que um padre da igreja de Rodeio, fazendo uma limpeza no sótão, ou porão da igreja achou as telas num canto, jogadas.

Como na parte de traz das telas estava escrito o nome de quem as doara ele resolveu devolver a tela a um de seus descendentes... No caso o próprio Natal.

Tenho uma remota recordação que o nome que estava no verso da tela era de seu avô ou bisavô de sobrenome Bellini e ao ver esse sobrenome imediatamente pesquisei no material que estava ao meu alcance tracei uma teoria de como esta tela havia parado em suas mãos.

Sim, eu tinha certeza, ou melhor, a intuição que a tela era de um Mestre!

Na casa de minha mãe existe uma Bíblia que na época era comum em muitas casas: A Bíblia da Enciclopédia Barsa. Nessa Bíblia existe um quadro de um mestre da pintura de sobrenome... Bellini. Liguei os fatos... Ou melhor... Liguei os pintores!

Hoje com muito mais facilidade podemos acessar o Google e ver que:

Jacopo Bellini (1396 - 1470) foi um pintor italiano, pai de dois outros pintores conhecida Gentile e Giovanni Bellini (1430 - 1516), sendo que Giovanni Bellini (1483- 1520). É o mais famoso da família. Rafael Sânzio (1483 – 1520) foi contemporâneo dos filhos do pintor Jacopo.

Acabei chegando a seguinte teoria: Rafael e os irmãos Bellini foram contemporâneos e podiam também ter sido amigos e quem sabe um presenteou o outro com uma tela?

Essas telas passaram de geração em geração e "talvez" as gerações futuras não deram tanta importância a uma tela que sempre esteve em casa...

Passou pela família simplesmente como uma bela e respeitada imagem de uma “Madona” que por fim acompanhou uma família (Bellini) que imigrou  para o Brasil e a tela foi doada para a construção da primeira Igreja local, construída pelos imigrantes.

Simples assim! (O simples às vezes é mais complicado)

Essa foi a explicação que encontrei para essa tela aparecer em Rodeio.

Natal ficou tão contente com minha paixão e a teoria que fiz da “aparição da  tela em Rodeio” que antes de eu voltar para minha casa me presenteou com um pequeno quadro de uma Nossa Senhora da Saúde e lembro-me dele ter dito:

-Não posso te dar “aquela tela”, mas leve esta como recordação!

Eu tenho este quadro guardado até hoje com muito carinho! Comentei com várias pessoas, tanto e Rodeio  e em Bh. Procurei um professor de Belas Artes na Galeria Guignard para ver se podiam me ajudar a saber mais sobre a tela. 

Queria saber de que ano ela era e se era pertencia ao renascimento! 

Lembro também de ir até Ouro Preto a procura de um professor que poderia me ajudar nessa questão.

Um professor me orientou que a primeira coisa que devia fazer seria datar a tela. Ele me disse que “existia um teste de Carbono 14” que era muitíssimo caro e ainda não se fazia no Brasil... Mas que eu poderia ter uma “ideia” da época da tela pela forma como ela se descascava...

 E me explicou como se faziam telas na época do renascimento. 

Tudo se encaixava: A tela se descascava como o professor havia me falado.

Liguei para o Natal e disse lhe para guardar em segurança aquela tela, era muito provável que aquela tela tivesse quase 500 anos.

Quando o Natal faleceu lembro-me de ter ligado para a Selma e seu filho  e lhes alertei para guardar a tela em segurança. Que tivessem muito cuidado com as telas.  Era um objeto caro!

Quando me casei, carinhosamente Selma me presentou com umas xicaras de porcelana que eram do acervo do Natal.

Ocasionalmente conversando com as pessoas sobre alguma obra de arte eu falava que em Rodeio existia um Rafael...  Esta ainda é minha intuição...

Vocês devem me achar no mínimo... Fantasiosa!

Durante bom tempo não tive noticias da tela...

Anos se passaram até que em 1993 minha tia Cema me ligou, avisando para que eu visse uma reportagem que iria passar no “Fantástico”: Um médico, colecionador de arte, havia comprado à tela e depois de muitas pesquisas acreditava que a tela realmente poderia ser um autentico Rafael. 

E aqui nasce outra teoria de como o Quadro da Madonna Colonna chegou no Brasil.

Ela foi compartilhada pelo repórter da Rede Globo “Caco Barcelos” e,  se não me engano, num programa do Fantástico de 1993/ 1992  ( março ou outubro). Eu tenho a reportagem gravada, mas não sei se os direitos autorais me permitem compartilhar.

Na teoria de  Caco Barcelos,  o quadro da Madonna Colonna teria sido roubado na Europa por 04 saqueadores que, após serem condenados à morte, fugiram para o Brasil  trazendo a obra. Os saqueadores acabaram se refugiando em Rodeio, rota de imigrantes na época. Dois deles tentaram recuperar o quadro assassinando “Bellini”, que pertencera ao  bando. Em algum momento o  quadro foi doado para a Igreja em construção da pequena Colônia.  Quase 100 anos depois, em uma reforma da igreja,  um padre achou o quadro num porão e o devolveu a um descendente de Bellini, no caso Natal Trevisani. 

Segundo me contaram, Cadore (2) adquiriu o quadro de uma pessoa,  a quem na época,  contei a minha historia. Fato é, que logo após suas primeiras tentativas de apresenta-la aos Museus de Arte, ele acabou escrevendo um livro. Caco Barcellos, o jornalista,  acabou tomando conhecimento deste livro e fez uma reportagem onde compartilhou sua teoria. 

Alguns fatos tomam uma proporção absurda... Pelo menos acho que foi isso que aconteceu. Hoje, pesquisando os fatos novamente, eu pedia Inteligência Artificial que fizesse uma pesquisa para eu confirmar algumas datas da época e,  o que  a IA me respondeu me deixou chocada... Mesmo! 

Leiam abaixo o que a IA disse e que distorção do que aconteceu. Não me parece ter havido essa intençao... Sei lá o que aconteceu. A copia não era falsificada. Pelo menos a pintura parece ter mesmo a antiguidade que diz. Agora, se é ou não é a verdadeira Madonna Colonna, isso é outra historia. Inclusive o proprio Caco Barcelos que foi até o local pesquisar, achou que seria mais provavel ser a de Rodeio a original. Claro que ele não é "o especialista" mas, relatou detalhes que os especialistas lhe apontaram sobre algumas tecnica de Raffael Sanzio que não estão presentes na que esta no museu na Alemanha e dizem ser a original, a verdadeira. 

“Na década de 1980 e início dos anos 1992, o Brasil (especialmente o Sul e São Paulo) virou alvo de golpistas do mercado de arte”. O "modus operandi" deles era exatamente a história que você descreveu:

A Falsa Relíquia: Golpistas tentavam vender uma cópia (falsificação) da Madonna Colonna de Rafael para colecionadores ricos ou museus brasileiros por milhões de dólares.

A Linha de História (Falsa Proveniência): Para convencer os compradores de que a obra era o "original verdadeiro" (e que o quadro em Berlim era uma cópia colocada pelos prussianos), os criminosos criavam uma história de fundo perfeita: afirmavam que a pintura havia sido saqueada da Prússia por volta de 1875 e trazida secretamente para o Brasil nos porões de um navio, escondida por uma família de imigrantes europeus."

Como disse acima eu não soube da historia por um bom tempo, mas sei que esse medico dedicou parte de sua vida a esta tela e por fim escreveu um livro. Essas teorias da conspiração que inventam por ai são um perigo! 

Não sei o Dr. Cadore ainda esta vivo, mas torço  para que ele ou a família consigam descobrir quem foi o autor de uma tela tão magnifica e continuo acreditando... É um Rafael autêntico! (Tá... não sou especialista, Mas... é um Rafael. rs rs ) 

Em 1993, quando soube que a Selma havia vendido à tela da Madona perguntei lhe sobre a outra tela... A do Cristo no Gólgota. Ela me disse que também havia sido vendida. Ocasionalmente perguntava a um ou outro se tinham noticias da tela. Mas não ouvi nada... Nenhuma noticia. Só que estaria num cofre na Inglaterra. Depois  soube que o médico que comprou a tela da Madonna lançou seu livro que narra sua história com a tela que comprou.  Imagino as dificuldades que teve e continua tendo para que o mercado “autentique” sua “Madona”. 

Mas eu quero te perguntar. Já havia ouvido falar deste quadro ? E voce, tem alguma outra teoria ? 

 

(1) Minha querida Tia Cema e o colecionador Natal Trevisani que era seu vizinho e também foi casado com uma prima de minha tia  estão para sempre em minhas queridas lembranças e são  assim descritos pela famosa “IA”:

 “A atuação de Iracema cruzou as fronteiras do Brasil. Ela se tornou uma das maiores pontes diplomáticas e culturais entre Santa Catarina e a província de Trento, na Itália Realizou um trabalho monumental de pesquisa ao publicar o livro “Rodeio: Histórias e Memórias””. E,

“... Graças a essa semente de orgulho e preservação plantada por ela e outros pesquisadores, Rodeio conquistou oficialmente o título de Capital Catarinense dos Trentinos.”

 Para nós sobrinhos ela continua sendo  muito mais que isso: Amada e Admirada, mas também foi a  Coordenadora dos Círculos Trentinos no Brasil, Fundamental no resgate das tradições antigas da região,  Só quem a conhece sabe disso e muito, muito mais. Salve querida Tia Cema.

Natal Trevisani era conhecido na região como um comerciante apaixonado por antiguidades que mantinha um antiquário em Rodeio que funcionava quase como um "bunker" de salvamento do passado. Numa época em que poucos davam valor a objetos velhos, papéis e artes sacras deterioradas pelas igrejas e antigas famílias de imigrantes, ele recolhia e guardava tudo. Seu faro histórico era tão apurado que a história da arte e do cinema catarinenses devem muito a ele: o resgate do cinema catarinense (filmes mudos perdidos achados em seu acervo), as telas encontradas na igreja e parte do seu acervo serviu como base para a fundação do “Museu dos Usos e Costumes da Gente Trentina”.

 (2) (Amauri Cadore, o proprietário atual da tela escreveu um livro que se chama "A Descoberta". Confesso que não consegui ler o livro. Continuo acreditando que ela é verdadeira e pelo que folheei não me parece que ele tenha conseguido provar que a tela é original. Um dia ainda lerei esta obra... Caso queiram maiores informações é só seguir este link: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/variedades/noticia/2012/11/catarinense-diz-possuir-original-de-quadro-renascentista-e-lanca-livro-sobre-a-historia-3966680.html). 


domingo, 17 de maio de 2026

OS QUATRO IRMÃOS ZAMBONI



Uma foto!

Quatro homens! Quatro irmãos! Tios de meu pai.

Imigraram para os EUA da América no inicio do século XX.

Esta foto sempre esteve no nosso álbum de família juntamente com outras que me intrigavam.

Quem eram eles? Onde estariam? Se eram da família porque não tínhamos contato com eles?

Quando meu pai nasceu eles já moravam na América. Eram os tios que imigraram para os EUA. Ele chegou a brincar com a prima, filha de um deles: Palmira, mas isto foi logo depois da segunda guerra da qual ele participou na turma da "marmelada".
Depois não teve mais noticias e ele também acabou entrando na longa lista de imigrantes; para o Brasil.

Anos se passaram. Meu pai morreu em 1994 sem nunca ter alguma noticia deles.

Em busca da minha historia e da historia de meus "nonos" eu acabei encontrando alguns nomes em comum nos EUA.
Mandei um email com algumas fotos e em anexo um breve relato.

Recebi logo em seguida uma resposta que me deixou eufórica:

“Estou muito feliz por ler sua mensagem. Eu reconheci a foto dos quatro irmãos incluída em sua mensagem. Meu avô é um dos que está na foto. Eu adoraria trocar informações sobre nossa família!
O mais velho dos irmãos é Pedro (Uncle Pete) que tinha um rancho na Califórnia. Todos os irmãos trabalharam para ele assim que chegaram à América.  Todos acabaram tendo seu próprio negocio, mas estavam sempre em contato.  Tio Pedro casou se com Giuletta, nascida tambem na Itália... Tiveram 12 filhos.
Uncle Bob (Giovanni) nunca se casou...              . 
Tio Attilio casou se com a sobrinha de Giulietta...
Meu pai Eugenio...
Temos muitas informações para trocar, muito para descobrir!
Estou tão feliz de encontrar mais primos no Brasil!”
Shirley

Minha "nova prima"  trouxe um mundo de novas informações: Eles ressurgissem das cinzas, das brumas do passado.

Forneceu-me certidões que eu nunca havia visto, inclusive de minha avó. Segundo ela todas guardadas pelo “Uncle Pete” que  devia ter a mesma “fixação” em guardar a memoria da família.

Por fim, ri de mim mesma, pois todo o tempo eu procurara pelo "Zio Pedro", "Zio Giovanni", "Zio Eugenio" e não me dera conta que eles haviam se transformado em "Uncle Pete", Uncle Bob, Uncle Jimmy... 

Shirley tambem me informou sobre o nosso parentesco com o famoso inventor das maquinas de limpar gelo na Italia : As Zambonis.  Contou me que um desses meus tios avôs, trabalhou com Frank  enquanto ele desenvolvia a maquina.
Descobri tambem que o mais novo deles, Attilio, só veio a falecer alguns anos depois de meu pai e, pensei que poderiam ter se encontrado e imaginei o que falarriam... O que compartilhariam sobre a diferença da imigraçao entre os EUA e o Brasil.

Meu pai lutou na guerra. Pertenceu ao exercito e tambem foi partizan. Depois trabalhou nas minas de carvão da Belgica e decidiu vir para o Brasil.

Eu fui descobrindo mais informações dos Zambonis dos EUA. 

Eles nasceram na pequena cidade do Norte da Itália : Colorina - Sondrio

Na cidade, ainda hoje existe um velho moinho comandado por um descendente de Erminio Zamboni, tio de minha avó. (http://www.ilgiorno.it/sondrio/cronaca/2012/01/09/649302-mulino_colorina_macina_sempre.shtml)

Junto com o email de Shirley, veio uma nova foto com quatro homens: Agora uma foto colorida!

Eram homens mais velhos posando de forma alegre e descontraida. 

Na verdade a nova foto era o epilogo feliz daquela primeira: os quatro irmãos, sorridentes, tranquilos, com expressão de dever cumprido... Quase a nos dizer: 



Viu?   Conseguimos! Fizemos a América !







Shirley tambem me informou sobre o nosso parentesco com o famoso inventor das maquinas de limpar gele na Italia : As Zambonis.  Contou me que um desses meus tios avôs, trabalhou com Frank  enquanto ele desenvolvia a maquina.

Fui descobrindo mais informações dos Zambonis...

Eles nasceram na pequena cidade do Norte da Itália : Colorina - Sondrio

Na cidade, ainda hoje existe um velho moinho comandado por um descendente de Erminio Zamboni, tio de minha avó.

http://www.ilgiorno.it/sondrio/cronaca/2012/01/09/649302-mulino_colorina_macina_sempre.shtml
















quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Porque Coelhos e Ovos São Símbolos da Páscoa?

            ( Por: Dóris Bonini)
Existem diversas explicações de como "ovos" e "coelhos" se transformaram em símbolos da Páscoa e, todas derivam de cultos e hábitos dos nossos ancestrais... mais de 2.000 anos!
Antes de mais nada, é interessante saber que algumas das nossas  datas religiosas e, até algumas profanas, são marcadas não por um dia especifico como por exemplo é o Natal, que celebramos todos os anos no dia 25 de dezembro. 
Essas outras datas são marcadas pela posição da lua no céu. Como o  Carnaval, Quarta Feira de Cinzas, Corpus Christi, Sexta Feira da Paixão e a Páscoa. E  todas elas são móveis e marcadas a partir da data Páscoa. Você já deve ter reparado que todos os anos a Pascoa é em uma data diferente.  E isso acontece porque  ela é baseada em um calendário móvel e "LUNAR" que era celebrado no passado por várias culturas. Resumindo: marcadas pela posição da Lua no céu da Europa. 

E COMO OS COELHOS ENTRARAM NESSA CELEBRAÇÃO?

De novo... por causa da LUA.

A data da Páscoa já era celebrada por povos e tribos antigas...
Sua CELEBRAÇÕES tinham outos nomes.
Assim os povos germânicos celebravam a deusa Ostara. Os Persas o Ano Novo (Nowruz). Os Celtas o "Gree Man" (homem verde), os Egípcios a deusa Isis, os Maias o Cichen Itza, os Indus (Holi) e os chineses Sunbun No Hi. 
Os judeus por sua vez comemoravam o "Pessach" que foi a libertação do povo hebreu no Egito, marcando a nova vida da escravidão para a liberdade.
Enfim, todas elas celebravam o renascimento do Sol, a fertilidade dos pastos, a renovação,  a volta do Sol, liberdade!
Até 1582 os cristaos celebravam a Páscoa na mesma data dos Judeus. Após esse ano a Igreja Cristã deixou de seguir o "Calendários Juliano" e adotou o "Calendários Gregoriano" quando então  se adotou a atual forma de calcular a Pascoa. 
Ela é calculada com base no equinócio de primavera que ocorre na Europa. Ela é celebrada no "PRIMEIRO DOMINGO APOS A  1ª LUA CHEIA DO EQUINÓCIO DA PRIMAVERA". 
A partir desta lua os povos perceberam que as noites tinham menor duração que o dia e o Sol brilhava por mais tempo mandando o frio embora e esquentando o dias para que a grama e toda a natureza pudesse (re) nascer novamente. 
Durante esta época do ano eles então enxergavam na LUA
 uma grande LEBRE sentada, tendo a sua frente uma panela ou pilão.
E assim a "Lebre" se tornou um dos símbolos que usavam para marcar essa data. 
Por aqui, no Hemisfério Sul temos mais Coelhos que Lebre e logo ele se tornou um Símbolo da Páscoa. 

E OS OVOS ? COELHOS NAO POEM OVOS...
Quanto aos ovos também existem diversas explicações. Sempre ligadas a fertilidade dos pastos.
Eu tenho essa explicação.

 Há alguns anos um colono, imigrante da Europa, me contou parte da sua vida numa pequena vila que nasceu e eu tirei a conclusão lógica que todos os simbolos partem de analogias do dia a dia... 
Assim, com sua história pude concluir como as "galinhas" 🐔  e os ovos entraram na história da Páscoa. 

Na Europa o inverno ocorre entre 22 de dezembro até 19 de Março quando então começa a primavera que vai de 20 de Março a 20/06.
(Devemos ter em mente que moramos no Hemisfério Sul e estas tradiçoes vieram da Europa que fica
no Hemisfério Norte.  Então quando aqui e primavera na Europa é outono. Quando aqui é verão na Europa e inverno e vice versa. )

No passado sem a tecnologia que temos hoje em dia os invernos eram muito mais rigorosos e existia uma maior dificuldade de se conseguir o alimento. Durante o inverno os colonos recolhiam as vacas galinhas e bichos de criação em seus estábulos. O alimento era escasso a todos e principalmente para os animais. Neste período de inverno muitos animais hibernavam e/ou seu metabolismo diminuia. Um grande exemplo sao as galinhas. Elas deixavam de dar ovos. Na medida que o sol e o calor retornavam tudo ia se modificando. O gado tinha pasto e entao as pessoas tinham mais leite. As galinhas recomeçavam a dar ovos.
Tudo acontecia no ritmo da natureza. Devagar... 
No caso das galinhas, os primeiros ovos eram guardados para se oferecer aos doentes, idosos e crianças. Eram uma preciosidade!
Em fevereiro elas já estavam colocando mais ovos.  A fartura voltava e os ovos que até então estavam guardados para uma necessidade eram oferecidos a todos, principalmente as criancas. Para isso, coloriam os ovos com cascas de cebola,  beterrada e ervas. A comemoracao da Pascoa era feita com disputa e a procura desses ovos que a principio eram só coloridos, depois recheados de bala, amendoas e chocolate. 
E assim eles foram introduzidos na comemoração da Páscoa e os coelhos começaram a trazer cestas de ovos.
 Essa tradição chega no Brasil com os imigrantes Europeus no século XIX. 

sexta-feira, 31 de maio de 2024

ERMINIO VITTORIO ZAMBONI

 

ERMINIO VITTORIO ZAMBONI

Colorina 1892

Ferido na Eslovênia +- Agosto1915

Morreu 23 Agostos 1915

 

A foto deste jovem garboso e bonito sempre me deixou curiosa. Quem era?

Só fui saber que foi irmão de minha Nonna Emília quando Shirley Foss me enviou um e-mail contando o que sabia sobre ele. Era pouco, mas já era algo a mais que eu sabia.

 Ele foi irmão de minha Nonna Emília e morreu em 1915.

Vendo a foto desse jovem militar com o uniforme dos “Bersaglieri” conclui que ele havia morrido na Primeira guerra mundial.

Desde nova eu aprendi a identificar a diferença entre os “Bersaglieri” e os “Alpinos”. Os Bersaglieri carregavam um chapéu cheio de penas caídas. Já os Alpinos carregavam uma só pena erguida sob o chapéu. E tinha essa canção que meu pai sempre cantava e eu decorei o estribilho:

Bersagliere ha cento penne     (Bersalheiro tem cem penas)
ma l'Alpino ne ha una sola;      (Mas o Alpino tem uma só)
un po' più lunga,                        (um pouco mais longa)
un po' più mora,                       (um pouco mais morena)
sol l'Alpin la può portar.         (só o Alpino a pode usar)

Mas também tinha essa outra versão na qual fala dos Partizans grupo do qual meu pai participou no fim da Segunda Guerra Mundial e acho que ele gostava mais de cantar.

l bersagliere ha cento penne    (Bersalheiro tem cem penas)
e l'alpino ne ha una sola,        (Mas o Alpino tem uma só)
il partigiano ne ha nessuna    (O Partizan não tem nenhuma)
         e sta sui monti a guerreggiar.     (
E esta nas montanhas a guerrear)

Eu havia reservado somente um pequeno texto para ele, mas a história de Ermínio foi me surpreendendo à medida que tomava conhecimento de alguns fatos que foram surgindo quase que espontaneamente para mim.

No começo, e por ele ser um jovem de 23 anos quando morreu, eu pensei que nem casado ele teria sido. Enganei-me. Ele já era casado quando morreu e já tinha um filho com sua esposa: Zilia

Depois foi a própria Zilia, sua esposa, que me surpreendeu. Descobri que após a morte de seu primeiro marido Ermínio, ela se casou com o irmão dele e teve mais três filhos. Dois homens e uma menina.

Mas tive mais surpresas...

“A situação da Geopolítica da Itália sempre foi conturbada”. Até 1861 não existia o Reino da Itália, ele só foi proclamado em 17 de março de 1861 quando Vittório Emanuel II da Sardenha foi proclamado Rei da Itália com a intervenção do famoso “Giuseppe Garibaldi” e seu exercito.

 Este é o mesmo “Garibaldi” (herói de dois mundos) que em 1836 “cansado de arrastar uma existência inútil”, estava no Brasil, e obtém uma procuração de “Bento Gonçalves” no RG do Sul para comandar uma frota de guerra contra a marinha brasileira. Garibaldi retorna a Itália em 1848 para lutar na Lombardia contra o exercito Austríaco e iniciar a luta pela unificação italiana juntamente com sua esposa “brasileira” Anita Garibaldi.  Anita faleceu em 1849 e Garibaldi em 1882.

O “Reino da Itália” perdurou até 02 de junho de 1946 quando um referendum institucional abandona a Monarquia para formar uma “Moderna Republica Italiana”. Este processo é denominado de “Rissorgimento” que estabeleceu a unificação de vários Estados e foi influenciado pela Sardenha e pela Casa de Saboia.  Não foi um processo fácil. Nesta época a Itália era predominantemente agrária e somente o Reino do Piemonte e Sardenha começava a ter indústrias e uma burguesia influente.

A Península italiana era formada por diferentes reinos, ducados, republicas e principados distintos entre si. Boa parte da Região Norte da Itália estava sob o domínio Austríaco. O chamado Império Austro-húngaro. Este era o caso da “Lombardia”, região a qual Sondrio e Colorina pertenciam.

Em 1870 as tropas italianas entram em Roma e encerram mais de 1.000 (mil anos) de poder temporal dos papas.

A Primeira Guerra Mundial apesar de ter sido um conflito global ficou centrada na Europa. Teve inicio em 28/07/1914 e terminou em 11/11/1918.

Porem a Itália não entrou na Primeira Guerra Mundial. Logo após a assinatura do acordo de aliança com os estados da Tríplice Entente * (23 maio 1915) a Itália abandona os poderes da Tríplice Aliança e declara guerra à Áustria-Hungria começando em poucas horas operações militares contra o estado vizinho. “O combate se deu em térreo difícil e as linhas de separação entre os exércitos se estendia por centenas de quilômetros no nordeste da Itália, abrangendo territórios alpinos até a região cártica”.

 Lendo a historia da região percebi que Ermínio não havia morrido na Primeira Guerra Mundial e sim na luta contra o Império Austro Húngaro. Em busca de mais informações, descobri que ele morreu devido a ferimentos em batalha. Morreu num hospital que recebia estes feridos.

 Era Sargento do 110 Regimento Bersaglieri, nascido em 4 de março de 1892 em Colorina, Distrito Militar de Sondrio e morreu em 23 de Agosto de 1915 na 2a Seção Sanitária para feridos vindos de combates.

Por sua atuação nos combates ganhou uma Medalha de Ouro e esta inscrito na “Arvore de Ouro” do Ministério da Guerra da Lombardia. 


Zamboni Erminio di Battista

Decorato di Medaglia di Bronzo Al V M

Sargento do 110Regimento Bersaglieri, nato nel 4 março de 1892 a Colorina, Distreto Militare di Sondrio morto nel 23 di Agosto 1915 na 2ª Sezione di sanita per ferite riportatein combattimento.

  MINISTRO  CADUTI  IN  GUERRA     (https://www.difesa.it/Il_Ministro/CadutiInGuerra/Pagine/AlbodOro.aspx)                                              

Cognome: ZAMBONI
Nome: ERMÍNIO
Paternità: BATTISTA

Lombardia

Albo D´Oro

BG - BS - MN – SO

Província

905

Pagina

11

Sub in pagina

 

 Seconda sessine tinha duas - Alessandria (II Piemonte Sud) Piemonte, província de Alexandria,

                                               Sevigliano  comuna italiana da região do Piemonteprovíncia de Cuneo

 https://www.difesa.it/Il_Ministro/CadutiInGuerra/Pagine/AlbodOro.aspx

https://www.difesa.it/_layouts/15/MdDEvoluzione-Layouts/Archivio/AlboOro/11/905.jpg

 Provavelmente ele morreu em um desses locais onde houve uma batalha.

 Essas batalhas foram sangrentas e não obteve o êxito desejado. E deve ter morrido bem no começo delas.  

“Em março de 1915, pouco antes da entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, o 11º Bersaglieri moveu-se para o norte entre Nimis e Attimis, depois cruzou o rio Natisone no dia 24 de maio seguinte e ocupou Bergogna, Stanovišče e Saga (27 de maio), atingindo três dias mais tarde, na linha Polounik-Baban-Jama Planina-Monte Stol. No dia 14 de agosto a unidade iniciou a ofensiva que seis dias depois levou à conquista das localidades de Poljanica, Pod Turo e Podklopce, retomando o avanço, temporariamente atribuído à Brigada "Aosta", no dia 23 de agosto; em particular, o XXVII Batalhão chegou até Plezzo, sendo aqui detido pela artilharia austro-húngara que também bloqueou o XXXIII Batalhão perto de Dvor. Consequentemente, o comando italiano optou por uma pausa nas operações no setor.[3] No dia 6 de setembro o 11º Bersaglieri iniciou movimentos para assumir o 6º Regimento Bersaglieri, retomando o ataque ao vale do Plezzo e ao Passo de Moistrocca no dia 11 seguinte, após um fogo de artilharia preliminar: os batalhões do regimento atingiram os respectivos objetivos avançando em direção a outros alturas, mas um contra-ataque austro-húngaro em 19 de setembro forçou a infantaria italiana a recuar do Monte Vršič. O 11.º Regimento Bersaglieri, que até então tinha perdido 808 soldados em combate, teve assim o cuidado de reforçar as suas posições antes de retomar, no dia 18 de Outubro, a ofensiva contra as montanhas Javorcek e Golobar, que no entanto foi interrompida no dia 28 de Outubro sem resultados dignos de nota.[3]”https://it.wikipedia.org/wiki/11%C2%BA_Reggimento_bersaglieri)

 Uma duvida que ainda ficou após minha pesquisa: No inicio do século XX alguns exércitos usavam uma bicicleta. Parece que o 110 Regimento de Bersagliero era um deles. A usavam para terem mais velocidade em terrenos próprios e em outros eles a carregavam nas costas.

Abaixo uma foto de um soldado de infantaria com sua bicicleta. Ermínio teria carregado uma assim?

  




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