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sábado, 4 de dezembro de 2021

Fra Benedetto - Honorato Fiamoncini

Nona Carolina que contava. 
Ela teve um irmão que tinha o desejo de se tornar padre. 
Ele foi se preparar na Bahia junto com os Franciscanos.
Ela contava que a mãe dela, Nona Vitoria,  tinha o habito de se levantar bem cedinho como todos descendentes de imigrantes e numa manhã ela estava fazendo o café quando enxergou pela janela o filho se equilibrando na cerca. Ela levou um susto e dizem que ficou muito preocupada pois achou que era o filho dando algum aviso. 
De fato, poucos dias depois chegou a carta trasncrita abaixo.

PROVINCIALADO DOS PADRES FRANCISCANOS

BAHIA – BRASIL

 Bahia, 21 abril 1919

 Paz benção e consolação em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Como já sabeis por um telegrama, aprouve a Deus chamar para o céu sem ninguém esperar o vosso santo filho, nosso mui amado Frei Benedicto. Chorei e como uma criança que perde a mãe porque não quis por na (?) perder o meu Frei Benedicto. Fizemos promessas sobre promessas, fomos de altar em altar para pedir de braços abertos a Deus que no lo conservasse, mas Deus achou melhor chama lo a si, frei Benedicto conformou se com a vontade divina com uma tranquilidade de espirito que todos admiramos. Tendo feito o seu retiro espiritual, Frei Benedicto recebeu no dia 5 deste mês a sagrada ordem de Diácono. Foi um dia de alegria em casa. Eu me achava fora do convento pregando numa pequena missão. Quando voltei dia 6 Frei Benedicto apresentou se radiante de alegria, agradecendo-me a caridade de o ter apresentado ao Exmo. Sr Arcebispo D. J      para a adoração.

Respondi lhe que agradecesse a Deus a dita de já pertencer aos números dos diáconos da Igreja, com Santo Estevão, São Lourenço, S. Eufrásio (Efraim?), e São Francisco. Ele sorriu e pediu a benção. Como Diácono deu... A Santa Comunhão para levar uma... há um doente. Na quarta feira dia 9 de abril começou a sentir se incomodado.

No dia seguinte manifestou se com uma febre que o vitimou com dor e espanto de todos que o conheciam e já amavam aqui. O irmão enfermeiro, os superiores os irmãos (?) tudo tentaram tudo fizeram para conservar lhe a vida. Fizemos promessas sobre promessas, celebramos missas e prometemos outras às almas, mais parece à febre atacou o coração. Até terça feira de manha tinha alguma esperança, mas Frei Benedicto disse-nos que seu Deus o queria no céu.

Ele mesmo pediu os santos sacramentos e os recebeu com a piedade e tranquilidade de sempre. O irmão enfermeiro lhe havia dito que nos últimos tempos (desde 1912 para cá) não havia morrido nenhum religioso na Bahia. Frei Benedicto respondeu sorrindo eu (?).

 - serei o primeiro meu irmão. E é bom que eu vá agora. Agora é mais fácil, sou diácono, com mais responsabilidade e tenho medo do sacerdócio.

- Frei Benedicto quisera trocar com você!

- Não meu irmão, não troco com ninguém! “Fiat volutas Deu”

- Vamos rezar Frei Benedicto para você ficar bom.

- Sim, mas se Deus quiser (também está bom?).

 O Superior da casa, Frei Mauro, não mais se afastou da cama de Frei Benedicto.

Quando fui vê lo pouco depois do meio dia e contar lhe quantas promessas eu tinha feito por ele, ouviu e me beijou a mão.

Eu esperava (...)? Contra toda a esperança...

Mas o mal agravava se e às 6 horas da tarde o nosso querido Frei Benedicto foi transferido para o céu.

Embora desde a manha estivesse prevenido para receber este golpe não pude conter-me diante da realidade de perder aqui o melhor de meus religiosos estudantes. Era tão (?), tão humilde, tão amável e ajudava muito na direção da  adoração Mariana?() que ficaram sem sentidos.

Chorei em soluços e só depois de algumas horas me Consolei com o pensamento de termos mais um lá no céu que (Santo?). Frei Benedicto o era.

Lá poderá fazer mais do que aqui em favor da nossa Província Franciscana de Santo Antonio que tanto ele (apoiava/amava?).

Na quarta feira de trevas, levamos o nosso querido Frei Benedicto ao nosso cemitério que é próprio da nossa ordem onde descansa junto com 18 franciscanos que já foram adiante preparar-nos um lugar no céu.

A sepultura é perpetua e tratada para sempre com religioso cuidado. Nós costumamos fazer com os nossos irmãos falecidos a mesma missa da quinta feira santa. Ofereci por ele e depois já foram (...) serão celebradas.

Envio, pois um abraço de condolências aos queridos pais e parentes do nosso saudoso frei Benedicto e peço que se consolem em Jesus e Maria. Rezem por mim.

Fr. Eduardo Herberhold

Ministro Provincial

Frei Benedicto morreu no dia 15 de abril de 1919 as 18:00  horas , provavelmente de febre amarela.

5/4 – recebeu ordem de Diacono

6/4 – leva hóstia a doente

9/4 – sintomas da doença

20/4/1919 – pascoa de 1919

 DOM EDUARDO HERBERHOLD

 

1°BISPO AUXILIAR DE SANTARÉM-(1928-1931) GOVERNO DE DOM AMANDO BAHLMANN

NASCEU EM LIPPSTADT, ALEMANHA, A 28 DE JUNHO DE 19872.
INGRESSOU NA ORDEM DOS FRADES MENORES, A 04 DE MAIO DE 1890.
CHEGOU AO BRASIL(RECIFE-PE),A 10 DE JULHO DE 1894.
ORDENADO EM SALVADOR, BAHIA, A 18 DE AGOSTO DE 1895.
ELEITO MINISTRO PROVINCIAL, A PRIMEIRA VEZ EM 1913, A 2° 1926.
NOMEADO BISPO TITULAR DE HERMÓPOLIS-MAIOR E AUXILIAR DO PRELADO DE SANTARÉM, A 07 DE JANEIRO DE 1928.SAGRADO BISPO EM SALVADOR, 06 DE MAIO DE 1928.
TOMUOU POSSE COMO BISPO AUILIAR, EM SANTARÉM, A10 DE SETEMBRO DE 1928.
TRASFERIDO PARA A DIOCESE DE ILHÉUS, A 30 DE JANEIRO DE 1931.
FALECEU EM SALVADOR, BAHIA , EM 24 DE JUNHO DE 1939.
FOI SEPULTADO EM ILHÉUS, BAHIA, NA CATEDRAL CONTRUÍDA SOB SEU GOVERNO. 

 

obs :. A PROVA DA CRUZ

A febre amarela que assolou os Estados da Bahia e de Pernambuco foi a prova da cruz pela qual passou Província Franciscana de Santo Antônio.
Os documentos históricos dão conta de que foram 14 as vidas ceifadas de jovens frades, entre 20 e 30 e poucos anos, nove na Bahia e cinco em Pernambuco.
http://freimilton-ofm.blogspot.com.br/

 O bispo Dom Eduardo Herberhold nasceu em Lippstadt, na Westfália, Alemanha em 28 de junho de 1876. Filho de Henrique Herberhold e Teresa Utzel Herberhold.

Somente depois de muitas orações e meditações é que tomou a decisão de seguir a carreira eclesiástica.
Em 1890 recebeu o hábito de São Francisco.
Tomou posse como bispo de Ilhéus em 30 de janeiro de 1931.
Dom Eduardo foi um dos que trabalharam para a construção da Catedral, vindo a falecer em 1939. Histórico

A construção da magnífica CATEDRAL DE SÃO SEBASTIÃO foi iniciada em 1931 por Dom Frei Eduardo Herberhols da Diocese de Ilhéus, dando início ao fantástico projeto do arquiteto Salomão da Silveira. A Catedral é o mais esplêndido Templo Católico do sul da Bahia, com estilo Eclético, Religioso. Romântico e Renascentista e a sua inauguração ocorreu em 1967. A sua beleza e suntuosidade é um grande convite para Missa, Batismo, Crisma, Casamento e também para Meditação e Oração com Deus.

Os nossos sonhos, a nossa família, as nossas ambições jamais seriam os mesmos com a ausência da Catedral, pois é nesse espaço que adquirimos forças para enfrentar os obstáculos, os fracassos, como também celebrar as nossas vitórias. Fé é fundamental e também confiança em Deus em todos os dias de nossas vidas. A imensidão e o universo divino da Catedral nos encantam e nos conduz a horizontes sem fim, criando uma atmosfera de paz em cada um de nós e uma nova vida, de futuro e de intelectualidade.

 

Livro Adoremus !

Manual de Orações e Exercicios Piedosos

Principalmente para o uso da Juventude Christã

Ano: 1924

Autor: Frei Eduardo Herberhold

terça-feira, 9 de agosto de 2016

AS DUAS PRIMAVERAS DE 1875 ( Marcelo Moser)


Familia Antonio Moser - Esta é a foto mais antiga que possuimos. Aqui o patricarca, pai  de "Toni "já havia falecido e todos os irmão estão casados
Porque duas primaveras?
Para meus bisnonos que moravam em "Faida de Piné" - (Trento - Tirol do Sul - Itália), aquele ano foi um ano decisivo: Imigraram para o Brasil e essa decisão fez com que pudessem apreciar a primavera na Itália e depois no Brasil. 

Marcelo Moser, meu primo, num belo trabalho de imaginação e pesquisa escreveu um relato precioso de como poderia ter sido as emoções e os dias que antecederam a imigração de nosso bisavô “Antônio Moser”.

Com o intuito de comemorar os 140 anos da saída desse nosso antepassado da pequena localidade de “Faida DI Piné” em Trento, ele refez os preparativos e os prováveis trajetos que estes imigrantes fizeram.

Fica aqui o link para a leitura de todos. Tenho certeza que irão gostar!

(autorizado pelo autor)







"Em 2015 comemoramos os 140 anos da Imigração Trentina em Rodeio(SC).
Como homenagem pessoal a esse evento, apresento, de maneira ficcional, o que teria sido um blog postado por meu bisavô (o blogger Toni Pinaitro) caso existisse a internet e suas ferramentas à época.
Com base em alguns documentos familiares preservados e informações disponíveis e verídicas (*), vou tentar construir um enredo narrando as aventuras e vicissitudes que a imaginação me sugere tenham ou possam ter acontecido. As datas dos posts tentam seguir as mesmas datas de 1875, inclusive os dias da semana, para dar uma idéia do desenrolar dos acontecimentos ao longo de 2015.
Se gostarem, divulguem. Comentários são bem-vindos, mas serão publicados apenas os que "entrarem no clima" da época.
Saluti,

Marcelo A. Moser

(*) Obras consultadas: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DE RODEIO, Iracema M Moser Cani, e VINCERE O MORIRE, Renzo M Grosselli."

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A Viagem Marítima ( Imigraçao Italiana - Trentinos)

Imigrantes (1875) e seus primeiros filhos nascidos no Brasil. Em pé : Antonio Dee Pin ( de Luigi), Massemino Moser ( de Nicolà), Antonio Tonet ( de Francesco), Benniamino Fruet ( de Valentino), Germano Depiné ( de Carlo), Luiggi Sardagna. Sentados : Giovanni Battista Fiamoncini ( nonno Titi - de Bernardo, Nicola Moser, Giovanni Tonet, Valentino Fruet, Giacomo Furlani. 
“As viagens por mar eram tristíssimas, dolorosas. Os navios deviam comportar 300 pessoas; no entanto era normal o amontoamento de até 800 pessoas. Crianças e velhos morriam doentes, fragilizados, consumidos. Os imigrantes vinham “enlatados como sardinhas”, tudo em função do lucro perseguido pelos agentes da imigração, famintos de suas comissões financeiras. Vinham aglomerados em “buracos de ratos”, no dizer dos próprios imigrantes, ou em “ninhos de aves” (Grosselli), disputando o espaço com animais, o que contribuía para disseminar e acelerar as epidemias em plena travessia. Casos de infecções várias, estados febris agudos, atingiam crianças e adultos. Velhas feridas se complicavam e se reabriam exalando o seu odor pútrido, e que fatalmente se transformariam depois nas dolorosas erisipelas (zipra, rosapila, assim como as constantes icterícias ( mal zald), que atingiria dezenas de pessoas. Mulheres grávidas davam à luz, esposas desesperadas atiravam-se nos braços dos maridos suplicando que retornasse. Pouco a pouco, mais e mais mortes ocorriam. Os que morriam eram “ensacados” e jogados no mar; às vezes com os corpos ainda quentes, iam direto para as bocas dos peixes. Os trentinos, por serem muito católicos, organizavam o funeral religioso, rezando e cantando para “elevar ao céu” as almas que partiam deste mundo para sempre. As tempestades e o calor do Equador, a comida escassa, a “nostalgia”, eram fatores que acresciam ainda mais o sofrimento pela perda dos entes queridos, formando-se o pânico no íntimo dos pobres imigrantes diante das tragédias que se sucediam impiedosas. De acordo com a legislação francesa, só havia médicos e remédios nos navios que partiam de Marselha e Le Havre; para os que embarcavam em porto italiano não havia essa providência, porque a lei italiana não previa. A travessia durava 30 dias em média, com navios a vapor. Com navios a vela a viagem podia durar até 60 dias. Também podia ocorrer, às vezes, o retorno ao porto de embarque quando as embarcações  apresentavam avarias, ou desvios de rota por causa dos ventos,  ou perda do destino, como no caso do veleiro “Gabriella”.
As crianças que nasciam nos navios eram registradas no Brasil. No registro oficial eram inscritos apenas os chefes de família e os solteiros. Eles eram conduzidos até as hospedarias com todos os familiares, no aguardo do seu destino final. Na lista de recepção dos imigrantes de 1875 verifica-se uma forte incidência de nomes tiroleses – a maioria agricultores, entre os quais carpinteiros, alfaiates, ferreiros, jardineiros, mineiros, maquinistas, marceneiros, fabricantes de carros, de tijolos, um ou outro cozinheiros, agrimensor, carroceiro, envernizador e molineiro. Isto nos dá suporte à tese de que nem todos eram analfabetos ou desqualificados. Essas profissões sugerem que a leva trazia gente com determinados conhecimentos, com fundamentos básicos de escola ou de técnica italiana.
( Trecho do livro : Histórias e Memórias de Rodeio, Iracema Maria Moser Cani – Ed. Uniasselvi

MADONNA COLONNA - AINDA UM MISTÉRIO

  Para mim foi uma emocionante descoberta sobre uma obra de “Rafael Sânzio” vinda com imigrantes para o Brasil em 1875. E tudo começou em 19...