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domingo, 30 de agosto de 2026

MADONNA COLONNA - AINDA UM MISTÉRIO

 

Para mim foi uma emocionante descoberta sobre uma obra de “Rafael Sânzio” vinda com imigrantes para o Brasil em 1875.
E tudo começou em 1978 e até hoje o mistério não foi desvendado.
Será que um dia será?


A sorte estava a meu favor! Ser sobrinha da “Tia Cema” foi fundamental para que essa história acontecesse(1)


 Mas... A Historia começa aqui:

 Durante uns anos, era só eu ter uma brecha na escola e já estava eu, embarcando rumo a Rodeio, cidade natal de minha mãe em Santa Catarin. Hoje a cidade é conhecida como a “Capital Catarinense dos Trentinos”.

Rodeio é uma pequena cidade que foi colonizada por italianos vindos da região do Tirol -  Trento e e julho e agosto de 1978, mais uma vez, estava eu lá, passando minhas férias. 

Como de costume eu passava muito tempo na casa da minha Tia Cema “sfrugnando” livros, fotos e documentos antigos. 

Tia Cema já havia me contado que o Sr. Natal, esposo de sua prima Selma, era um colecionador de antiguidades e que estava guardando em sua casa, o acervo do Museu “Eugenio Trevisani.” que havia sido montado para a comemoração do Centenário da Imigração Italiana em Rodeio (1875/1975).

Seus filhos eram também meus amigos de infância e naquele ano frequentei assiduamente a casa deles e acabei conhecendo toda aquela “riqueza” que ele guardava em sua casa.

  Natal havia dito a minha tia que estavam em seu poder os famosos “Registros de Frei Lucínio” que haviam se “perdido”.

 “Frei Lucínio foi um pároco de Rodeio que organizou os Registros Canônicos das famílias de imigrantes que vieram para o antigo distrito de Rodeio da Colônia Blumenau”. Ele anotou em cadernos a chegada dos imigrantes tiroleses e italianos. Nome, numero de lote, filhos etc...

 Esses documentos haviam desaparecido durante a época do Estado Novo quando se deu se a perseguição aos imigrantes e seus descendentes residentes no Brasil. Esses documentos que podiam identificar quem era estrangeiro foram escondidos, enterrados e até queimados para não prejudicar a nenhum deles. 

Os registros achados, agora fazem parte do livro que ela publicou: “Histórias e Memórias de Rodeio” – Iracema Maria Moser Cani

 Por um tempo acreditou se que esses Registros tivessem se perdido para sempre porem Natal os havia encontrado e naquela  época, 1978,  eles estavam numa caixa de papelão no porão ao lado da escada de sua casa; já com um cheirinho de mofo.

Perguntei lhe se podia olhar os livros. Prometi que teria muito cuidado ao manusear.

Natal prontamente permitiu!

Aqueles “cadernos antigos” para mim foram um achado maravilhoso! Fiquei fascinada e conversava com ele sobre minhas descobertas no seu acervo.

Vendo meu encantamento por essas coisas históricas e antigas, cada dia ele  me mostrava uma nova “preciosidade”.

Fiquei encantada com uma coleção chamada “Encyclopedia Portuguesa Ilustrada” de Maximiano Lemos.  Atualmente só consegui encontrar exemplares dessa coleção na Faculdade de Coimbra – Portugal.  Lembro-me de ele ter dito que na sua coleção só faltava um volume.

Lembro também de ter ficado admirada com uma imagem de uma “Santa Espanhola”. Naquela época ele estava em busca de “uma carta” que devia acompanhar a santa, pois ela tinha uma história interessante. A imagem só seria considerada rara juntamente com a carta que ele tanto procurava. Nunca soube se chegou a encontrar a tal carta.

Porcelanas, joias, livros, documentos, utensílios de uso pessoal, partes de metal de um famoso satélite, ferramentas de trabalho e outros objetos que pertenceram aos primeiros imigrantes, tudo isso compunha o seu acervo.

Naquela época eu estava fazendo uma coleção lançada pela “Abril Cultural” chamada “mestres da Pintura”.  Eu lia cada fascículo e me deliciava com as gravuras das pinturas dos Mestres.

Em Rodeio, todos os dias eu ia até a casa de Natal e Selma para ver algo diferente e conversar com eles.

Um dia ele chegou para mim e me disse:

- Dóris, você gosta mesmo de tudo isso aqui! Aqui ninguém se interessa por isso, ninguém dá valor. Quero te mostrar uma coisa muito especial!

 Tenho gravado em minha memória a imagem dele descendo as escadas, parando no ultimo degrau com um  “cartucho” em cada mão.

 Devagar e com muito cuidado ele desenrolou o primeiro “cartucho” e  orgulhoso falou:

 - Veja o que me devolveram!

Ao ver o que ele desenrolava eu fui ficando mais e mais encantada.

O primeiro era uma tela com a imagem de uma Madona com o menino Jesus em seu colo. Uma tela escurecida pelo tempo. A tinta estava craquelada e faltavam certos pedaços, mas era Lindíssima!

A virgem segurava o menino nu e um pano branco escondia o sexo do menino. Soube mais tarde que aquele pano branco havia sido colocado por um padre quando a tela foi exposta na Igreja de Rodeio.

 Ao ver a tela fique extasiada! A beleza, a antiguidade e até o péssimo estado que aquela bela figura estava me deixaram em êxtase e imediatamente falei: Esta tela é de Rafael Sânzio!

Não me perguntem de onde veio esta certeza. Não sei! Surgiu assim, sem filtros, sem analises, sem pensamento. Era um Rafael.

Não! Não entendia de arte, continuo não entendendo a ponto de fazer uma comparação dessas... Mas foi assim!

Simplesmente a emoção me fez falar e enxergar que era um Rafael... Talvez tenha sido o famoso “sexto sentido” que toda mulher possui. Mas eu estava convicta...

Momentos depois, começando a raciocinar eu ainda disse:

Se não é um “Rafael” autentico com certeza é algo tão grandioso quanto ele!

A tela devia ser muito antiga, pois na parte inferior a tinta já havia se soltado do pano no qual a pintura fora realizada.

Eu segurei a tela da Madona em minhas mãos e enquanto eu continuava a admirar a primeira tela ele foi desenrolando a segunda e me disse:

- “ Tem essa também! ”.

A outra tela também era muito bonita, mas não se comparava à primeira, pois estava mais escurecida e sombria. Uma cena triste... Lúgubre.

A pintura representava a crucificação de Cristo com o bom e o mal ladrão no Gólgota. Também se encontrava em péssimo estado de conservação e em ambas não se via a assinatura, pois estava muito descascada na parte inferior. (Soube que posteriormente, devido a sua deterioração, ela foi dividida em três telas – Um tríptico).

Ainda com a tela da Madona em mãos eu falei para o Natal:

- Natal, essa tela parece mesmo ser uma pintura de Rafael Sânzio! Pode ser! Mas como isso é possível? Que coisa maravilhosa? Como veio parar aqui?

Lembro-me dele sorrir todo orgulhoso e comentar que realmente a tela era muito linda e ficou admirado com o que eu falei.

Fiquei tão encantada com a tela e tinha tanta convicção que aquilo era algo muito precioso que logo quis saber como as telas vieram parar em suas mãos.

Então ele me contou que um padre da igreja de Rodeio, fazendo uma limpeza no sótão, ou porão da igreja achou as telas num canto, jogadas.

Como na parte de traz das telas estava escrito o nome de quem as doara ele resolveu devolver a tela a um de seus descendentes... No caso o próprio Natal.

Tenho uma remota recordação que o nome que estava no verso da tela era de seu avô ou bisavô de sobrenome Bellini e ao ver esse sobrenome imediatamente pesquisei no material que estava ao meu alcance tracei uma teoria de como esta tela havia parado em suas mãos.

Sim, eu tinha certeza, ou melhor, a intuição que a tela era de um Mestre!

Na casa de minha mãe existe uma Bíblia que na época era comum em muitas casas: A Bíblia da Enciclopédia Barsa. Nessa Bíblia existe um quadro de um mestre da pintura de sobrenome... Bellini. Liguei os fatos... Ou melhor... Liguei os pintores!

Hoje com muito mais facilidade podemos acessar o Google e ver que:

Jacopo Bellini (1396 - 1470) foi um pintor italiano, pai de dois outros pintores conhecida Gentile e Giovanni Bellini (1430 - 1516), sendo que Giovanni Bellini (1483- 1520). É o mais famoso da família. Rafael Sânzio (1483 – 1520) foi contemporâneo dos filhos do pintor Jacopo.

Acabei chegando a seguinte teoria: Rafael e os irmãos Bellini foram contemporâneos e podiam também ter sido amigos e quem sabe um presenteou o outro com uma tela?

Essas telas passaram de geração em geração e "talvez" as gerações futuras não deram tanta importância a uma tela que sempre esteve em casa...

Passou pela família simplesmente como uma bela e respeitada imagem de uma “Madona” que por fim acompanhou uma família (Bellini) que imigrou  para o Brasil e a tela foi doada para a construção da primeira Igreja local, construída pelos imigrantes.

Simples assim! (O simples às vezes é mais complicado)

Essa foi a explicação que encontrei para essa tela aparecer em Rodeio.

Natal ficou tão contente com minha paixão e a teoria que fiz da “aparição da  tela em Rodeio” que antes de eu voltar para minha casa me presenteou com um pequeno quadro de uma Nossa Senhora da Saúde e lembro-me dele ter dito:

-Não posso te dar “aquela tela”, mas leve esta como recordação!

Eu tenho este quadro guardado até hoje com muito carinho! Comentei com várias pessoas, tanto e Rodeio  e em Bh. Procurei um professor de Belas Artes na Galeria Guignard para ver se podiam me ajudar a saber mais sobre a tela. 

Queria saber de que ano ela era e se era pertencia ao renascimento! 

Lembro também de ir até Ouro Preto a procura de um professor que poderia me ajudar nessa questão.

Um professor me orientou que a primeira coisa que devia fazer seria datar a tela. Ele me disse que “existia um teste de Carbono 14” que era muitíssimo caro e ainda não se fazia no Brasil... Mas que eu poderia ter uma “ideia” da época da tela pela forma como ela se descascava...

 E me explicou como se faziam telas na época do renascimento. 

Tudo se encaixava: A tela se descascava como o professor havia me falado.

Liguei para o Natal e disse lhe para guardar em segurança aquela tela, era muito provável que aquela tela tivesse quase 500 anos.

Quando o Natal faleceu lembro-me de ter ligado para a Selma e seu filho  e lhes alertei para guardar a tela em segurança. Que tivessem muito cuidado com as telas.  Era um objeto caro!

Quando me casei, carinhosamente Selma me presentou com umas xicaras de porcelana que eram do acervo do Natal.

Ocasionalmente conversando com as pessoas sobre alguma obra de arte eu falava que em Rodeio existia um Rafael...  Esta ainda é minha intuição...

Vocês devem me achar no mínimo... Fantasiosa!

Durante bom tempo não tive noticias da tela...

Anos se passaram até que em 1993 minha tia Cema me ligou, avisando para que eu visse uma reportagem que iria passar no “Fantástico”: Um médico, colecionador de arte, havia comprado à tela e depois de muitas pesquisas acreditava que a tela realmente poderia ser um autentico Rafael. 

E aqui nasce outra teoria de como o Quadro da Madonna Colonna chegou no Brasil.

Ela foi compartilhada pelo repórter da Rede Globo “Caco Barcelos” e,  se não me engano, num programa do Fantástico de 1993/ 1992  ( março ou outubro). Eu tenho a reportagem gravada, mas não sei se os direitos autorais me permitem compartilhar.

Na teoria de  Caco Barcelos,  o quadro da Madonna Colonna teria sido roubado na Europa por 04 saqueadores que, após serem condenados à morte, fugiram para o Brasil  trazendo a obra. Os saqueadores acabaram se refugiando em Rodeio, rota de imigrantes na época. Dois deles tentaram recuperar o quadro assassinando “Bellini”, que pertencera ao  bando. Em algum momento o  quadro foi doado para a Igreja em construção da pequena Colônia.  Quase 100 anos depois, em uma reforma da igreja,  um padre achou o quadro num porão e o devolveu a um descendente de Bellini, no caso Natal Trevisani. 

Segundo me contaram, Cadore (2) adquiriu o quadro de uma pessoa,  a quem na época,  contei a minha historia. Fato é, que logo após suas primeiras tentativas de apresenta-la aos Museus de Arte, ele acabou escrevendo um livro. Caco Barcellos, o jornalista,  acabou tomando conhecimento deste livro e fez uma reportagem onde compartilhou sua teoria. 

Alguns fatos tomam uma proporção absurda... Pelo menos acho que foi isso que aconteceu. Hoje, pesquisando os fatos novamente, eu pedia Inteligência Artificial que fizesse uma pesquisa para eu confirmar algumas datas da época e,  o que  a IA me respondeu me deixou chocada... Mesmo! 

Leiam abaixo o que a IA disse e que distorção do que aconteceu. Não me parece ter havido essa intençao... Sei lá o que aconteceu. A copia não era falsificada. Pelo menos a pintura parece ter mesmo a antiguidade que diz. Agora, se é ou não é a verdadeira Madonna Colonna, isso é outra historia. Inclusive o proprio Caco Barcelos que foi até o local pesquisar, achou que seria mais provavel ser a de Rodeio a original. Claro que ele não é "o especialista" mas, relatou detalhes que os especialistas lhe apontaram sobre algumas tecnica de Raffael Sanzio que não estão presentes na que esta no museu na Alemanha e dizem ser a original, a verdadeira. 

“Na década de 1980 e início dos anos 1992, o Brasil (especialmente o Sul e São Paulo) virou alvo de golpistas do mercado de arte”. O "modus operandi" deles era exatamente a história que você descreveu:

A Falsa Relíquia: Golpistas tentavam vender uma cópia (falsificação) da Madonna Colonna de Rafael para colecionadores ricos ou museus brasileiros por milhões de dólares.

A Linha de História (Falsa Proveniência): Para convencer os compradores de que a obra era o "original verdadeiro" (e que o quadro em Berlim era uma cópia colocada pelos prussianos), os criminosos criavam uma história de fundo perfeita: afirmavam que a pintura havia sido saqueada da Prússia por volta de 1875 e trazida secretamente para o Brasil nos porões de um navio, escondida por uma família de imigrantes europeus."

Como disse acima eu não soube da historia por um bom tempo, mas sei que esse medico dedicou parte de sua vida a esta tela e por fim escreveu um livro. Essas teorias da conspiração que inventam por ai são um perigo! 

Não sei o Dr. Cadore ainda esta vivo, mas torço  para que ele ou a família consigam descobrir quem foi o autor de uma tela tão magnifica e continuo acreditando... É um Rafael autêntico! (Tá... não sou especialista, Mas... é um Rafael. rs rs ) 

Em 1993, quando soube que a Selma havia vendido à tela da Madona perguntei lhe sobre a outra tela... A do Cristo no Gólgota. Ela me disse que também havia sido vendida. Ocasionalmente perguntava a um ou outro se tinham noticias da tela. Mas não ouvi nada... Nenhuma noticia. Só que estaria num cofre na Inglaterra. Depois  soube que o médico que comprou a tela da Madonna lançou seu livro que narra sua história com a tela que comprou.  Imagino as dificuldades que teve e continua tendo para que o mercado “autentique” sua “Madona”. 

Mas eu quero te perguntar. Já havia ouvido falar deste quadro ? E voce, tem alguma outra teoria ? 

 

(1) Minha querida Tia Cema e o colecionador Natal Trevisani que era seu vizinho e também foi casado com uma prima de minha tia  estão para sempre em minhas queridas lembranças e são  assim descritos pela famosa “IA”:

 “A atuação de Iracema cruzou as fronteiras do Brasil. Ela se tornou uma das maiores pontes diplomáticas e culturais entre Santa Catarina e a província de Trento, na Itália Realizou um trabalho monumental de pesquisa ao publicar o livro “Rodeio: Histórias e Memórias””. E,

“... Graças a essa semente de orgulho e preservação plantada por ela e outros pesquisadores, Rodeio conquistou oficialmente o título de Capital Catarinense dos Trentinos.”

 Para nós sobrinhos ela continua sendo  muito mais que isso: Amada e Admirada, mas também foi a  Coordenadora dos Círculos Trentinos no Brasil, Fundamental no resgate das tradições antigas da região,  Só quem a conhece sabe disso e muito, muito mais. Salve querida Tia Cema.

Natal Trevisani era conhecido na região como um comerciante apaixonado por antiguidades que mantinha um antiquário em Rodeio que funcionava quase como um "bunker" de salvamento do passado. Numa época em que poucos davam valor a objetos velhos, papéis e artes sacras deterioradas pelas igrejas e antigas famílias de imigrantes, ele recolhia e guardava tudo. Seu faro histórico era tão apurado que a história da arte e do cinema catarinenses devem muito a ele: o resgate do cinema catarinense (filmes mudos perdidos achados em seu acervo), as telas encontradas na igreja e parte do seu acervo serviu como base para a fundação do “Museu dos Usos e Costumes da Gente Trentina”.

 (2) (Amauri Cadore, o proprietário atual da tela escreveu um livro que se chama "A Descoberta". Confesso que não consegui ler o livro. Continuo acreditando que ela é verdadeira e pelo que folheei não me parece que ele tenha conseguido provar que a tela é original. Um dia ainda lerei esta obra... Caso queiram maiores informações é só seguir este link: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/variedades/noticia/2012/11/catarinense-diz-possuir-original-de-quadro-renascentista-e-lanca-livro-sobre-a-historia-3966680.html). 


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Porque Coelhos e Ovos São Símbolos da Páscoa?

            ( Por: Dóris Bonini)
Existem diversas explicações de como "ovos" e "coelhos" se transformaram em símbolos da Páscoa e, todas derivam de cultos e hábitos dos nossos ancestrais... mais de 2.000 anos!
Antes de mais nada, é interessante saber que algumas das nossas  datas religiosas e, até algumas profanas, são marcadas não por um dia especifico como por exemplo é o Natal, que celebramos todos os anos no dia 25 de dezembro. 
Essas outras datas são marcadas pela posição da lua no céu. Como o  Carnaval, Quarta Feira de Cinzas, Corpus Christi, Sexta Feira da Paixão e a Páscoa. E  todas elas são móveis e marcadas a partir da data Páscoa. Você já deve ter reparado que todos os anos a Pascoa é em uma data diferente.  E isso acontece porque  ela é baseada em um calendário móvel e "LUNAR" que era celebrado no passado por várias culturas. Resumindo: marcadas pela posição da Lua no céu da Europa. 

E COMO OS COELHOS ENTRARAM NESSA CELEBRAÇÃO?

De novo... por causa da LUA.

A data da Páscoa já era celebrada por povos e tribos antigas...
Sua CELEBRAÇÕES tinham outos nomes.
Assim os povos germânicos celebravam a deusa Ostara. Os Persas o Ano Novo (Nowruz). Os Celtas o "Gree Man" (homem verde), os Egípcios a deusa Isis, os Maias o Cichen Itza, os Indus (Holi) e os chineses Sunbun No Hi. 
Os judeus por sua vez comemoravam o "Pessach" que foi a libertação do povo hebreu no Egito, marcando a nova vida da escravidão para a liberdade.
Enfim, todas elas celebravam o renascimento do Sol, a fertilidade dos pastos, a renovação,  a volta do Sol, liberdade!
Até 1582 os cristaos celebravam a Páscoa na mesma data dos Judeus. Após esse ano a Igreja Cristã deixou de seguir o "Calendários Juliano" e adotou o "Calendários Gregoriano" quando então  se adotou a atual forma de calcular a Pascoa. 
Ela é calculada com base no equinócio de primavera que ocorre na Europa. Ela é celebrada no "PRIMEIRO DOMINGO APOS A  1ª LUA CHEIA DO EQUINÓCIO DA PRIMAVERA". 
A partir desta lua os povos perceberam que as noites tinham menor duração que o dia e o Sol brilhava por mais tempo mandando o frio embora e esquentando o dias para que a grama e toda a natureza pudesse (re) nascer novamente. 
Durante esta época do ano eles então enxergavam na LUA
 uma grande LEBRE sentada, tendo a sua frente uma panela ou pilão.
E assim a "Lebre" se tornou um dos símbolos que usavam para marcar essa data. 
Por aqui, no Hemisfério Sul temos mais Coelhos que Lebre e logo ele se tornou um Símbolo da Páscoa. 

E OS OVOS ? COELHOS NAO POEM OVOS...
Quanto aos ovos também existem diversas explicações. Sempre ligadas a fertilidade dos pastos.
Eu tenho essa explicação.

 Há alguns anos um colono, imigrante da Europa, me contou parte da sua vida numa pequena vila que nasceu e eu tirei a conclusão lógica que todos os simbolos partem de analogias do dia a dia... 
Assim, com sua história pude concluir como as "galinhas" 🐔  e os ovos entraram na história da Páscoa. 

Na Europa o inverno ocorre entre 22 de dezembro até 19 de Março quando então começa a primavera que vai de 20 de Março a 20/06.
(Devemos ter em mente que moramos no Hemisfério Sul e estas tradiçoes vieram da Europa que fica
no Hemisfério Norte.  Então quando aqui e primavera na Europa é outono. Quando aqui é verão na Europa e inverno e vice versa. )

No passado sem a tecnologia que temos hoje em dia os invernos eram muito mais rigorosos e existia uma maior dificuldade de se conseguir o alimento. Durante o inverno os colonos recolhiam as vacas galinhas e bichos de criação em seus estábulos. O alimento era escasso a todos e principalmente para os animais. Neste período de inverno muitos animais hibernavam e/ou seu metabolismo diminuia. Um grande exemplo sao as galinhas. Elas deixavam de dar ovos. Na medida que o sol e o calor retornavam tudo ia se modificando. O gado tinha pasto e entao as pessoas tinham mais leite. As galinhas recomeçavam a dar ovos.
Tudo acontecia no ritmo da natureza. Devagar... 
No caso das galinhas, os primeiros ovos eram guardados para se oferecer aos doentes, idosos e crianças. Eram uma preciosidade!
Em fevereiro elas já estavam colocando mais ovos.  A fartura voltava e os ovos que até então estavam guardados para uma necessidade eram oferecidos a todos, principalmente as criancas. Para isso, coloriam os ovos com cascas de cebola,  beterrada e ervas. A comemoracao da Pascoa era feita com disputa e a procura desses ovos que a principio eram só coloridos, depois recheados de bala, amendoas e chocolate. 
E assim eles foram introduzidos na comemoração da Páscoa e os coelhos começaram a trazer cestas de ovos.
 Essa tradição chega no Brasil com os imigrantes Europeus no século XIX. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CHEIROS DE RODEIO


Alguns cheiros e perfumes ficam gravados na alma para sempre. São uma cálida lembrança de pessoas tão queridas que de uma forma ou outra fizeram parte de minha vida.

Tenho-as guardada para sempre no meu coração.
 Há um tempo atrás, sentindo saudades de Rodeio escrevi um texto que mandei para algumas pessoas da minha família. 

O texto fala dos cheiros que sentia na minha infância quando ia de férias visitar minha Nona, meus tios (as) e primos(as),  numa pequena cidade de colonização italiana, em Santa Catarina, terra natal de minha mãe, meus nonos. Minha terra natal de coração.

Gostaria que meus filhos pudessem senti-los com toda a emoção que eu os senti e ter a mesma sensação quando me lembro deles, mas sei que jamais sentirão da mesma forma que eu... A juventude tem outro caminho.

No fim do texto existe a resposta que recebi da minha tia e de um primo ao lerem o texto.
Adorei suas respostas e por este motivo ficam agora incorporados ao texto, no final. 



Cheiros de Rodeio

Quem não lembra?

- O barulho do assoalho da antiga casa da tia Armide; quem ficava no andar de baixo ouvia o tec, tec dos que estavam em cima, caminhando.

- O cheiro de cola da sapataria do tio Tuca.

- As hortênsias da tia Armide. O barranco que tinha nos fundos  da casa dela. O cheiro da terra úmida em dias de frio e a cores da terra, em camadas, nos lembrando das diferentes eras que a região havia passado.

- A privada (patente) que ficava fora de casa  (hughh! mas me lembro!), e o medo de cair lá dentro quando se usava.

- A Tia Armide conversando com a galinha Gabriela.

- As balas de amendoim (nunca mais achei iguais de tão gostosas) que o Tio Tide distribuía para nós quando era noivo da Tia Cema... e a risada dele...

- Cheiro de muss, polenta, polenta brustolada, o sabão de cinzas da nona (lizzia?).

- Os tortéis de banana com canela  (ainda me arrisco a fazer e a comer...). Os tortéis me lembram a Lilia F. 

- Os cheiros da casa da nona, as madeiras...

- O armário da cozinha da casa da nona ( casolar) feito de madeira, tela de arame pieno di muss, pane, formagi, salami e pani bianchi...

- O cheiro dos ranchos.

-  Biscotti del bambinel e mal di panza .

- Os banhos de canequinha numa bacia grande de alumínio com água salobra e todo mundo reclamando da água e tentando adivinhar o porquê  a água era assim...


- O Cheiro de cravo e pêssego que sentia ao lado da nona Carolina ( será que só eu que sentia esse cheiro???)





- O cheiro dos livros da tia Cema na estante,  e as ilustrações e canções da coleção do  “Mundo da Criança”. Esta coleção foi por mim cobiçada, por anos e agora quando entro num sebo de livros e encontro uma delas jogada, empoeirada, exposta  para a venda chego a  considerar uma heresia.

 - As Tias chamando pelos “matelotti”.

 - O cheiro da venda da tia Cema e da cachaça de ervas que a tia Armide fazia.

- Tia Armide matando sapo com o tamanco e os gambás com uma vara.

- O “cheiro da dor” ao ter descido a rampa da igreja em uma  folha de coqueiro e ter ralado a bunda na terra ou ter sentado dentro do tacho de fazer sabão no fogão de lenha da nona Carolina sem saber que o fogão ainda estava quente. (só quem sentou no tacho sabe como era possível e gostoso,  nas noites frias, ficar lá dentro). E a dor de fato tem cheiro, é como uma cica de caju verde que trava a boca. Lembro até hoje.

 - O jardim lateral da casa do tio Dino cheio de flores, ele fazendo churrasco, e a casa da Tia Lena  "triscando" de tão brilhante, com seus lençóis brancos de renda que nem o "sabão Omo" consegue deixar tão branco.

 - O cheiro e o sabor dos pães de aipim e batata da Cacilda Fava. Tenho a receita, mas até hoje não consegui fazer. A manteiga e o mel que passava sobre o pão. Meu Deus! Que saudades! 

- Cheiro do açougue! Vários! Externos e
 internos. 

Os sons!

- O Arceste recolhendo os bois para o abate. As vezes uns bois se rebelavam e pulavam as cercas e nós, espectadores, subíamos o que estivesse pela frente para nos sentir a salvo e não sermos pegos por eles.

- A "mangueira" do açougue, o cheiro de chouriço, as linguiças, o torresmo sendo prensado e o cheiro rescendendo para a casa da Nona que era ali encostado, só tinha um corredor de 2 metros de terra que os separava.
Até hoje adoro um torresmo.
E tem vezes que chega a me dar vontade de chorar. É quando como um torresmo prensado, pois me vem à lembrança os cheiros da minha infância...

- O cheiro do porão da casa da tia Cema cheio de garrafões de vinho e mofo.

- O cheiro e o barulho do bar que ficava na outra esquina da casa da tia Cema. Fui lá pela primeira vez com o Tio Tide. Lembro-me de ter ficado toda orgulhosa pois pela primeira vez alguém (ele) pediu um Martini com cereja especialmente para mim, num bar.

- O ingá da tia Cema. A Ena, a Dete empoleiradas nele. Tem foto por ai desse ingazeiro.... Vou achar!

- O cheiro que ficou no fusca da tia Cema quando um dia fomos buscar vinho de colono e o vinho começou a estourar dentro do carro... Foi então que percebi o processo da fermentação do champanhe...

- O cheiro da cachaça que fui buscar com o Renato num alambique... Que saudades do Renato, do seu jeito e seu sorriso. Ele sempre dirigia encostado na porta do carro. Meio torto e com o braço para fora... Seu sorriso largo, zombeteiro!

- O cheiro das revistas que algumas vezes ajudei meu primo a separar para fazer as devoluções em Timbó. Revistas estas que eu lia, todas, na venda da tia Cema.

- O “gasozão” que era servido na casa da nona. Mandado comprar na horinha que sentávamos à mesa.


- Eu e a Dete indo pela primeira vez para “o caminho do Blumenau”. Ela dirigindo e eu dando força moral. As duas, gritando, ao cruzar com os caminhões da estrada.

- Os cheiros de madeira de Rodeio são capítulos a parte!
Além do cheiro da "lenha" queimando no fogão, tinha o das madeiras das casas, dos armários.
Cheiro de madeira queimando nas ruas. Talvez viesse da fabrica de madeiras que fazia potes para farinha, colheres de pau .
Também exalavam um cheiro delicioso de madeira fresca os “montes” desses objetos descartados pois tinham algum defeito.
Até os operários da serraria cheiravam a madeira. Chegavam na venda da tia Cema cheirando a sândalo e a sassafrás.

- O cheiro das ágapes no rio, à noite perfumando tudo e os sapos barulhentos, juntamente com trilhões de pernilongos. As pessoas em frente das suas casas sentadas nos bancos de madeira, "ciacolavam" com as pernas enroladas em panos para os pernilongos não picarem.
A escolha era terrível: Ou se ficava dentro de casa morrendo de calor ou se era devorado pelos pernilongos do lado de fora...

- As serenatas nas noites de Rodeio com o Isaias tocando sanfona, a cantoria até altas horas...

O tio Erico pedindo para cantar mais uma vez “Vosto venir Nineta” e pedindo para o Conde recitar. O Pelica com seu violão...

- A Gláucia com seu sorriso e a Debi com sua covinha...

- As risadas com o Chiquinho e a neblina, branca, espessa, nas madrugadas que varávamos conversando em frente a casa da Tia Armide.

-  A loja de tecido da Selma e as antiguidades do Natal.

- O café na casa da Tia Rosa, o sorriso da Lili e o cigarro de palha no Tio Ângelo! Que saudades!

- O sorvete no bar do Osmir...

- A Ena, o Didi, o Toninho, a Dete  e não me lembro de quem mais fazendo declarações de amor para as arvores de Rodeio num sábado de madrugada...

- A Dete ouvindo suas musicas preferidas de faroeste  e o tio Tuca a musica “Picola Citta”

- A tia Cema cantando “ una caseta in canadá”

- Os ensaios do teatro para a Semana Santa. Que farra!

- O Geraldino discutindo seus primeiros números do jornal “O Corujão”...

- Os tombos de bicicleta e a lama que tinha no caminho entre a casa da Tia Armide e da tia Cema.

- A Cátia correndo atrás de mim enquanto eu andava de bicicleta, pois ela não sabia andar de bicicleta.

- As cucas do nono Celso. O cheiro e o sabor da cuca que pegávamos na carroça. O cheiro doce dos paes, doces ao levantar a toalha que os cobria. A risada e a voz do Nono Celso.

- O banheiro da casa do nono Celso e da nona Ida era para mim uma curiosidade a parte! Tinha duas portas que davam para fora. Era uma tremenda insegurança usa-lo...

- O sono na missa da manha...

- O casamento da tia Cema, com farinha esparramada no chão... E eu entrando pela janela na manha seguinte a noite de núpcias...

- A “crucula”, e a cabana que o Marcos, Renato, Celi e o Ed tentaram fazer para nós no alto do morro... Destruídos pelo vento e pela correria, pois tinha touro no pasto e tivemos que descer “voando”.

- Eu, o Ed e a Cátia dando milho para as galinhas se aproximarem de nós para depois espanta- las aos ponta pés e ver as penosas voando e saindo em disparada...Risadas ! Moleques!

Enfim são tantas as recordações... Deliciosas...

Rodeio cheio de cheiros, cheio de recordações...




Respostas recebidas:

Estou mandando fotos antigas para todos vocês e nessa busca por fotos comecei a lembrar de algumas férias em Rodeio. Algumas bem antigas... Eu ainda pequena... Outras mais recentes, mas mesmo assim lá  se vão muitos anos... A lembrança surgiu porque eu mandei para todos uma foto da nona e do Tio Tuca no corredor que ficava entre a antiga casa da Nona e o açougue... Lugares que normalmente não se fotografa. Vendo com atenção a foto comecei a me lembrar de alguns cheiros, barulhos e sensações que me lembraram de Rodeio (antigo?)... Resolvi fazer uma lista.

Resposta de meu Primo:
Pô, nossa prima olfativa (aliás, reminiscências sempre tem certa spuza de olf...) não deixou mais nada para ser dito...
Mas eu me lembro dela, Dóris, com uns 5 anos, subindo à minha frente naquela escada quase vertical para o sótão do rancho, deixando à mostra por baixo do vestido "la culata biànca" e em cada "banda" a marca verrrrrmeeeeelha inconfundível carimbada com as duas palmas da Tia...
 Baci
(MM)


Querida Tia...
 Bateu uma saudade danada daí  , resolvi escrever... Era para ser breve... Ficou maior... Não vou reler... Se pensar muito não mando... Então vai do jeito que está, as correções faço depois...
 Bjs (não sei se você v ai ter paciência de ler... mas mesmo assim lá vai...).

Resposta de minha Tia:
Querida,
Que memória fantástica! Que sensações nítidas você consegue transmitir. Recordei tanta coisa que nem eu mesma me lembrava. Aí se vê como Rodeio era lindo, rico de ricas inspirações. Acho que o teu texto "memorável" merece ser repassado para todos os que ainda vivem da nossa família.
Obrigada querida. Você me deu um lindo presente: um pouco do passado de todos nós, que não há nada que se compare. Lembranças que valem mais que uma joia rara. Aliás, acho que poucos tiveram uma infância assim.
Beijos.


Dóris Bonini

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