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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Uomo Carboni – Homens Carvão



Com o fim da segunda guerra mundial a Itália estava em frangalhos.

Não havia emprego, a comida era artigo raro, de luxo e contrabandeada.

Grande parte das familias,  principalmente as familias de camponeses (boscaiolos) estavam passando por muitas necessidades e precisavam do trabalho para sobreviver.

 Haviam perdido suas vacas, suas terras estavam abandonadas e viviam com muitas dificuldades. Os jovens não tinham onde trabalhar.

O carvão sempre foi produto necessário para as indústrias  e a Bélgica o possuía em grande quantidade, mas não tinha mão de obra suficiente para extrair o mineral e tambem,  não era qualquer homem que se atrevia a trabalhar no interior de uma mina, pois quando o homem desce numa mina,  dentro de uma gaiola de ferro, ele se sente como Adão se sentiu quando perdeu o Paraíso.

Em 1946 a Bélgica e a Itália fizeram um acordo. A Itália deveria mandar a cada semana para a Belgica 2000 mineiros com até 35 anos para trabalhar nas minas de carvão em contrapartida uma percentagem da produção das minas  de carvão Belgas seria destinada à Itália.

Assim milhares de italianos foram atraídos para a Bélgica para trabalhar nas minas de carvão.

Meu Tio Vitor foi trabalhar nas minas de Bruxelas em 1946 e meu pai somente em 1949, pois até 1948 servia o exercito italiano.  

Tio Vitor na realidade não é meu tio, ele é meu padrinho, mas como nasceu no mesmo “paese” de meu pai eles devem ter algum grau de parentesco.

Tio Vitor e sua família sempre estiveram presentes em nossas vidas. Primeiro na vida de meu pai na Itália, depois aqui no Brasil. Para nós eles fazem parte de nossa familia, pois além da amizade que começou na infância, ambos se casaram com mulheres de uma pequena cidade de Santa Catarina (Rodeio) e que são primas em segundo grau. Os dois sempre moraram nas mesmas cidades.

 O trabalho nas minas de carvão sempre foi um trabalho muito duro e perigoso. As condições das minas eram instáveis.

Muitos morriam soterrados ou adoeciam por causa da silicose, doença causada pelo pó que se acumula nos pulmões. 

Deve se ter coragem para descer a 400 metros de profundidade, dentro de uma gaiola de metal,  cheia de homens que levavam lamparinas de gás para iluminar a escuridão das minas.



Essas mesmas lamparinas que iluminavam o caminho podiam trazer a morte ao provocar explosões.

Acrescente a isso um calor infernal, o suor, a poeira negra do carvão, o medo e a instabilidade.

Não era qualquer homem que tinha a coragem de se aventurar a trabalhar em uma mina.

Quando os homens saiam das minas a única coisa que podia se ver neles eram os olhos. Estavam completamente impregnados da fuligem...

Por outro lado eles pagavam bem e eles precisavam de dinheiro para reconstruir suas casas e de seus pais. As escolhas eram poucas...

Assim, cheios de coragem, meu tio e mais cinco ou seis amigos foram para Bruxelas trabalhar nas minas de carvão.

Na entrada da mina, em frente ao elevador que levava os homens para as entranhas da terra, dois dos amigos de meu tio já desistiram da empreitada e foram embora.

Os outros entraram na gaiola que os levaria até as profundezas. Quando a gaiola se abriu no fundo da mina todos os amigos desistiram.

Daquele grupo de amigo, somente ele teve coragem de entrar na mina e começar a trabalhar nela.

- Eu não tinha escolha. Éramos sete irmãos, mais o pai e a mãe. Todos sem trabalho.

Ele não teve escolha.

Trabalhou nas minas de carvão por quatro anos quando finalmente em 1950 após enviar grande parte do fruto do seu trabalho para os pais e irmãos (re) construírem suas casas ele dá um novo rumo a sua vida.

Resolve então viajar para a Argentina onde viviam muitos italianos, mas faria uma escala... Brasil.

Os tempos da negra fuligem ficariam para traz...  Rumo ao dourado sol do Brasil.



Cinco anos depois que eles deixaram a Belgica um grande desastre aconteceu :

“O desastre de Marcinelle ocorreu na manhã de 08 de agosto de 1956 na mina de carvão “Bois du Cazier Marcinelle”, Bélgica. Foi de um incêndio, causado pela combustão de óleo de alta pressão provocado por uma faísca eléctrica. O fogo, que se desenvolveu inicialmente no duto de entrada de ar principal, cheio de fumaça por toda a instalação subterrânea, matando 262 das 274 pessoas presentes, em sua maioria imigrantes italianos. O incidente é o terceiro para o número de vítimas entre os italianos no exterior após o desastre Monongah e Dawson. O site Bois du Cazier, agora abandonado, faz parte do património intemporal da UNESCO [1].”




(...) No charco das galerias,
Suntuosas catacumbas
Enxofradas de pirita,
Aspiro a nuvem maldita,
Que penetra disfarçada
Levando a morte aos pulmões.

Há mil tosses abafadas,
Mil soluços sufocados,
Quando a rafa faz o corte
Entre gemidos de morte,
Que perpassam como espectros
No rumor das explosões (...)
(Monsenhor Agenor Neves Marques)




https://it.wikipedia.org/wiki/Disastro_di_Marcinelle
file:///C:/Users/User/Desktop/mina.pdf

sábado, 28 de junho de 2014

O Brasil foi um dos paises que recebeu o maior numero de imigrantes italianos

Casa em Trento, Itália.
Pertenceu a Antonio Moser, imigrante italiano que a vendeu
quando veio para o Brasil - 1875 
"O Brasil foi um dos países que recebeu o maior número de migrantes italianos. 

Um dos fatores que proporcionou esta grande demanda foi à política de colonização baseada na lei de terras de 1850, que incentivou a imigração. 

O estado (império) passa a reafirmar o poder sobre as terras devolutas, e declara extinta a lei de doações de terras através de sesmarias. 

No caso do Rio rande do Sul, houve uma imigração formada por pequenos núcleos (pequena propriedade).

 Em São Paulo os imigrantes italianos substituíram a mão-de-obra escrava nas grandes plantações.

 O interesse do estado em modificar as estruturas da sociedade brasileira, recorrendo aos povos europeus para cultivar a pequena propriedade não agradou aos grandes proprietários de terras. 

Os mesmos temiam um confronto com o novo modelo de propriedade. (BONI, 1984, p. 23)

Trecho retirado da monografi de graduação de Joselaine Aparecida Garlet Tura em :

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A Viagem Marítima ( Imigraçao Italiana - Trentinos)

Imigrantes (1875) e seus primeiros filhos nascidos no Brasil. Em pé : Antonio Dee Pin ( de Luigi), Massemino Moser ( de Nicolà), Antonio Tonet ( de Francesco), Benniamino Fruet ( de Valentino), Germano Depiné ( de Carlo), Luiggi Sardagna. Sentados : Giovanni Battista Fiamoncini ( nonno Titi - de Bernardo, Nicola Moser, Giovanni Tonet, Valentino Fruet, Giacomo Furlani. 
“As viagens por mar eram tristíssimas, dolorosas. Os navios deviam comportar 300 pessoas; no entanto era normal o amontoamento de até 800 pessoas. Crianças e velhos morriam doentes, fragilizados, consumidos. Os imigrantes vinham “enlatados como sardinhas”, tudo em função do lucro perseguido pelos agentes da imigração, famintos de suas comissões financeiras. Vinham aglomerados em “buracos de ratos”, no dizer dos próprios imigrantes, ou em “ninhos de aves” (Grosselli), disputando o espaço com animais, o que contribuía para disseminar e acelerar as epidemias em plena travessia. Casos de infecções várias, estados febris agudos, atingiam crianças e adultos. Velhas feridas se complicavam e se reabriam exalando o seu odor pútrido, e que fatalmente se transformariam depois nas dolorosas erisipelas (zipra, rosapila, assim como as constantes icterícias ( mal zald), que atingiria dezenas de pessoas. Mulheres grávidas davam à luz, esposas desesperadas atiravam-se nos braços dos maridos suplicando que retornasse. Pouco a pouco, mais e mais mortes ocorriam. Os que morriam eram “ensacados” e jogados no mar; às vezes com os corpos ainda quentes, iam direto para as bocas dos peixes. Os trentinos, por serem muito católicos, organizavam o funeral religioso, rezando e cantando para “elevar ao céu” as almas que partiam deste mundo para sempre. As tempestades e o calor do Equador, a comida escassa, a “nostalgia”, eram fatores que acresciam ainda mais o sofrimento pela perda dos entes queridos, formando-se o pânico no íntimo dos pobres imigrantes diante das tragédias que se sucediam impiedosas. De acordo com a legislação francesa, só havia médicos e remédios nos navios que partiam de Marselha e Le Havre; para os que embarcavam em porto italiano não havia essa providência, porque a lei italiana não previa. A travessia durava 30 dias em média, com navios a vapor. Com navios a vela a viagem podia durar até 60 dias. Também podia ocorrer, às vezes, o retorno ao porto de embarque quando as embarcações  apresentavam avarias, ou desvios de rota por causa dos ventos,  ou perda do destino, como no caso do veleiro “Gabriella”.
As crianças que nasciam nos navios eram registradas no Brasil. No registro oficial eram inscritos apenas os chefes de família e os solteiros. Eles eram conduzidos até as hospedarias com todos os familiares, no aguardo do seu destino final. Na lista de recepção dos imigrantes de 1875 verifica-se uma forte incidência de nomes tiroleses – a maioria agricultores, entre os quais carpinteiros, alfaiates, ferreiros, jardineiros, mineiros, maquinistas, marceneiros, fabricantes de carros, de tijolos, um ou outro cozinheiros, agrimensor, carroceiro, envernizador e molineiro. Isto nos dá suporte à tese de que nem todos eram analfabetos ou desqualificados. Essas profissões sugerem que a leva trazia gente com determinados conhecimentos, com fundamentos básicos de escola ou de técnica italiana.
( Trecho do livro : Histórias e Memórias de Rodeio, Iracema Maria Moser Cani – Ed. Uniasselvi

MADONNA COLONNA - AINDA UM MISTÉRIO

  Para mim foi uma emocionante descoberta sobre uma obra de “Rafael Sânzio” vinda com imigrantes para o Brasil em 1875. E tudo começou em 19...